Malcolm
Little, passou para a história como um dos grandes
líderes dos negros norte-americanos com o nome de Malcolm X. Sua infância e
adolescência foram marcadas pela violência característica dos guetos pobres
norte-americanos. Quando tinha apenas seis anos e brincava pelas ruas de Omaha,
o seu pai, Earl Little, foi assassinado.
Após sofrer brutal espancamento, Earl teve o seu corpo atirado em uma linha de
trem. A mãe de Malcolm, por sua vez, estava em tratamento num hospital
psiquiátrico, de modo que ele e seus sete irmãos foram parar em orfanatos. Pouco
tempo mais tarde, com uma irmã mais velha, foi morar em Boston. Depois, mudou-se
para o Harlem, bairro de maioria negra em Nova York.
Na adolescência, Malcolm trabalhou como engraxate. Escapou do serviço militar
fingindo-se de "louco". Na mesma época, começou a praticar pequenos furtos no
Harlem e envolveu-se com o tráfico de maconha. Com mais três amigos, todos muito
pobres, passou a assaltar residências, até que acabou sendo preso, em 1946.
Na prisão ocorreu a grande transformação na vida de Malcolm X. Passou a estudar
o islamismo, convertendo-se aos ensinamentos de Elijah Muhammed, líder da "Nação
do Islã", organização que congregava os negros muçulmanos dos Estados Unidos. Ao
sair da cadeia, em 1952, Malcolm X transformou-se em um dos mais carismáticos
líderes negros de seu país.
Enquanto Martin Luther King apostava na resistência pacífica como arma para
enfrentar o racismo e a segregação, Malcolm X defendia a separação das raças, a
independência econômica e a criação de um Estado autônomo para os negros. Ao
lado de Elijah Muhammed, viajou pelos principais Estados norte-americanos para
pregar as suas idéias e defender a libertação dos negros.
O projeto não foi à frente, mas deu ainda mais fama ao ativista. Em 1964, já
casado, fundou a organização "Muslim Mosque Inc." e, mais tarde, a "Afro-American
Unity". Um ano antes, após uma viagem para Meca, cidade sagrada dos muçulmanos,
mudou o seu nome para Al Hajj Malik Al-Habazz. A partir daí, passou a defender
uma posição conciliatória em relação aos brancos, fato que o deixou isolado,
sobretudo quanto ao islamismo afro-americano.
No dia 21 de fevereiro de 1965, quando discursava no Harlem, Malcolm X foi
assassinado com 13 tiros, ao lado de sua mulher Betty, que estava grávida, e de
suas quatro filhas. A polícia não encontrou provas, mas suspeitou da
participação da "Nação do Islã" no crime.
As idéias de Malcolm X foram muito divulgadas principalmente nos anos 70, por
movimentos negros como o "Black Power" e "Panteras Negras". A vida do ativista
norte-americano também se transformou em documentários e filmes, sendo "Malcolm
X", dirigido por Spike Lee, em 1992.